quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O “perigo” de ler a Laudato Sí

Até bem pouco tempo, quando um livro, não era bem visto e avaliado pela Igreja Católica, ele, geralmente, se tornava uma obra de interesse, o qual devia ser lido porque se a Igreja Católica o criticou era porque o livro seria realmente bom. Infelizmente, de fato, isso se deu.

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O texto completo está disponível em:

https://observatoriodaevangelizacao.wordpress.com/2015/08/20/o-perigo-de-ler-a-laudato-si/

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Francisco, o Papa do fim do mundo.

"[...] Foram buscar, recentemente, alguém do “fim do mundo”, um jesuíta latino-americano, para conduzir e ajudar a Igreja a continuar, nesse contexto atual de aldeia global, a sua missão de anunciar a boa nova de Jesus Cristo para o mundo: o argentino Jorge Mario Bergoglio, agora mundialmente conhecido como o papa Francisco. Ele, desde o início de seu ministério, tem lançado a todos os cristãos o incontornável convite de voltarmos às fontes, ao berço do cristianismo para recuperar seu vigor e encanto [...]"

O texto completo está disponível em:

https://observatoriodaevangelizacao.wordpress.com/2015/08/06/francisco-o-papa-do-fim-do-mundo/

terça-feira, 21 de julho de 2015

Por que celebrar o Mistério de nossa fé?

" Urge, então, que cada rito sacramental seja vivenciado, pelo cristão, como alimento espiritual que provoca conversão e crescimento na fé, bem como no compromisso ético de participar da construção da sociedade justa, fraterna e ecologicamente sustentável."

O texto completo está disponível em:
https://observatoriodaevangelizacao.wordpress.com/2015/07/14/por-que-celebrar-o-misterio-de-nossa-fe/

terça-feira, 30 de junho de 2015

O Anel de Tucum – compromisso com a causa de Jesus Cristo

[...] o Anel de Tucum, feito a partir de uma palmeira da Amazônia, que segundo Dom Pedro Casaldáliga tem um espinho muito bravo. Segundo o bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) no filme/documentário o Anel de Tucum, o anel é “sinal da aliança com a causa indígena, causas populares. Quem carrega este anel, normalmente, significa que assumiu estas causas e as suas consequências”.  É o símbolo da opção preferencial pelos pobres. Assim, esse anel é utilizado por pessoas ligadas às pastorais sociais, movimentos sociais e algumas ONG’s

Leia o texto completo em: https://observatoriodaevangelizacao.wordpress.com/2015/06/30/o-anel-de-tucum-compromisso-com-a-causa-de-jesus-cristo/

segunda-feira, 6 de abril de 2015


Isaac Asimov prevendo o impacto da Internet

Tradução: Flávio Pavanelli (Marketing Digital)
Publicado a 13/11/2013 - https://www.youtube.com/watch?v=TCYIpwAgiwg

Entrevista - "O Mundo das Idéias"

ISAAC ASIMOV: Uma vez que tenhamos canais, computadores em cada casa, cada um deles ligado a "bibliotecas" enormes, onde qualquer pessoa possa fazer perguntas e ter respostas, obter materiais de referência sobre qualquer assunto em que esteja interessada em saber, desde a sua infância. Por mais bobo que pareça para alguém, é o que você está interessado, e você pode perguntar, descobrir e pode seguir o assunto. Você pode fazê-lo em sua própria casa, no seu ritmo, na direção que quiser e a seu próprio tempo. Então todos gostarão de aprender. Hoje em dia o que as pessoas chamam de aprendizado é algo imposto a você. E todo mundo é obrigado a aprender a mesma coisa, no mesmo dia, na mesma velocidade e na sala de aula. Mas todo mundo é diferente. Para alguns, a aula pode ser muito rápida, lenta demais para outros e para alguns até mesmo na direção errada. Mas dê a eles uma chance, além da escola, eu não digo que vamos abolir a escola, mas além da escola, para seguir a sua vocação desde o início.

BILL MOYERS: Eu adoro essa visão, mas o que pensa do argumento de que as máquinas, como computadores, desumanizam a aprendizagem?

ISAAC ASIMOV: Bem, na verdade, é justamente o contrário. Parece-me que é através desta máquina que, pela primeira vez, vamos ser capazes de ter uma relação "um-para-um" entre a fonte de informação.
Bem, nos velhos tempos, tempos atrás, você costumava ter tutores para crianças. Uma pessoa que pudesse pagar, contratava um pedagogo, um professor, ele iria ensinar as crianças e se ele conhecesse bem seu trabalho, ele adaptaria seus ensinamentos aos gostos e habilidades dos alunos. Mas quantos tinham recursos para contratar um pedagogo? A maioria das crianças ficou sem educação. Então chegamos ao ponto em que era absolutamente necessário educar a todos. A única forma que poderíamos fazer era ter um professor para um grande número de alunos, e no intuito de organizar adequadamente a situação lhe demos um currículo para ensinar. Mas quantos professores são realmente bons nisso? Como em tudo na vida, o número de professores é muito maior do que o número de bons professores. Portanto, ou temos uma relação " um-para-um" voltada para muito poucos, ou uma "um-para-muitos" para muita gente. Agora, há a possibilidade de "um-para-um" e para muitos! Todos podem ter um professor, sob a forma de acesso aos conhecimentos acumulados da espécie humana.

BILL MOYERS: Através das "bibliotecas" que estarão conectadas ao computador na minha mesa, na minha casa. Eu posso sentar lá e chamar... mas e se eu quiser aprender apenas sobre beisebol?

ISAAC ASIMOV: Está tudo bem. Você aprende tudo o que quiser sobre o beisebol porque quanto mais você aprende sobre beisebol, mais você poderia se interessar por matemática e tentar descobrir o que eles querem dizer com essas médias estatísticas, médias de rebatidas e assim por diante. Você pode, no final, tornar-se mais interessado em matemática do que em beisebol se você seguir sua própria vocação e não for forçado. Por outro lado, alguém que esteja interessado em matemática, pode de repente encontrar-se muito intrigado pelo problema de como você joga uma bola em curva, e pode envolver-se com física esportiva... por que não? Por que não?

BILL MOYERS: Mas você sabe Isaac Asimov, temos um problema, temos um péssimo histórico neste país em oferecer às crianças pobres, nem mesmo boas salas de aula, e me pergunto se a nossa sociedade pode aparelhar-se e fornecer a todos, inclusive crianças pobres, bons computadores.

ISAAC ASIMOV: Talvez não no comecinho você sabe, mas é como se você se perguntasse: "Será possível fornecer a todos neste país água potável?" Há muitos países onde é impossível obter água potável, exceto em circunstâncias muito incomuns. Essa foi uma razão para que as pessoas começassem a beber cerveja e vinho, porque o álcool matava os germes, e se você não bebesse isto, você morreria de cólera. Mas há lugares onde você pode fornecer água potável para quase todos. Os EUA provavelmente fornecem abastecimento de água limpa para a maioria de sua população, talvez mais do que qualquer outra nação poderia. Não é de se esperar que todos tenham um computador perfeito de imediato, mas tentaremos isso, e com o tempo, acho que mais e mais o terão. Assim como, pelo amor de Deus, quando eu era jovem, poucas pessoas tinham automóveis, poucas pessoas tinham telefone em sua casa, e quase ninguém tinha um aparelho de ar condicionado. Ora, estas coisas são muito comuns hoje em dia, quase universais. Pode ser da mesma maneira.

BILL MOYERS: Então, em certo sentido, cada aluno terá a sua própria escola particular?

ISAAC ASIMOV: Sim, e esta escola pertence a ele ou ela, ele será o único a decidir sobre o que ele vai aprender, sobre o que vai estudar. Veja bem, isso não é tudo o que ele vai fazer. Ele ainda estará indo para a escola para algumas coisas que ele tem que saber. Certo, e também a interação com outros alunos e com os professores. Ele não pode fugir disso, mas ele tem que procurar a diversão da vida, que é seguir sua própria vocação.

BILL MOYERS: Essa revolução que você está falando, a aprendizagem pessoal, não é apenas para os mais novos certo?

ISAAC ASIMOV: Não, e isso é um ponto importante, não é só para os jovens. Esse é outro problema com a educação como a temos agora. As pessoas pensam na educação como algo que se pode terminar. E mais, quando se termina, que é um rito de passagem para a idade adulta.

BILL MOYERS: Mundo Real, eu terminei...

ISAAC ASIMOV: Certo! "Terminei a escola, eu não sou mais uma criança" e, portanto, qualquer coisa que lembre da escola - ler livros, ter ideias, fazer perguntas - é coisa de criança. Agora você é um adulto, você não faz mais esse tipo de coisa, entende.

BILL MOYERS: E como a prisão, a recompensa da escola está em sair. Os garotos dizem, "quando você vai se formar e sair?"

ISAAC ASIMOV: Toda criança sabe que, a única razão pela qual ela está na escola é porque ela é criança, pequena e fraca, e se conseguir sair antes do previsto, se sai antes, é porque ele é um homem precoce.

BILL MOYERS: Isso é totalmente verdade, eu falei com alguns jovens que abandonaram a escola, e eles pensam que se tornaram homens apenas porque estão fora dela. O que há de errado com eles?

ISAAC ASIMOV: Bem, o que está errado com eles é que você tem todo mundo ansioso para não mais aprender, e até se envergonham de voltar a estudar. Mas se você proporciona algo como isto, de qualquer um, a qualquer idade, pode aprender por si mesmo, pode-se continuar sempre interessado. Não há razão, se você gosta de aprender, para que você pare em uma determinada idade. As pessoas não param de fazer coisas que gostam apenas porque elas atingem uma certa idade. Eles não param de jogar tênis apenas porque fizeram quarenta anos. Eles não param com o sexo apenas porque completaram quarenta. Eles continuam se podem se divertir e com o aprendizado será a mesma coisa. O problema com a aprendizagem é que a maioria das pessoas não gosta dela por causa das circunstâncias. Faça que seja possível gostar de gostar de aprender e eles vão continuar aprendendo. Há a famosa história sobre Oliver Wendell Holmes, que viveu bem até seus noventa anos. Certa vez ele estava no hospital, não tinha muito tempo de vida e já tinha mais de noventa. O presidente Roosevelt foi visitá-lo, e lá estava Oliver Wendell Holmes lendo uma gramática grega. Roosevelt disse: "Por que você está lendo uma gramática grega, Sr. Holmes?" E Holmes disse: "Para melhorar a minha mente, senhor presidente".



quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Isaac Asimov prevendo o impacto da Internet (português)



Isaac Asimov prevendo o impacto da Internet
Tradução: Flávio Pavanelli (Marketing Digital)
Publicado a 13/11/2013 - https://www.youtube.com/watch?v=TCYIpwAgiwg

Entrevista - "O Mundo das Idéias"

ISAAC ASIMOV: Uma vez que tenhamos canais, computadores em cada casa, cada um deles ligado a "bibliotecas" enormes, onde qualquer pessoa possa fazer perguntas e ter respostas, obter materiais de referência sobre qualquer assunto em que esteja interessada em saber, desde a sua infância. Por mais bobo que pareça para alguém, é o que você está interessado, e você pode perguntar, descobrir e pode seguir o assunto. Você pode fazê-lo em sua própria casa, no seu ritmo, na direção que quiser e a seu próprio tempo. Então todos gostarão de aprender. Hoje em dia o que as pessoas chamam de aprendizado é algo imposto a você. E todo mundo é obrigado a aprender a mesma coisa, no mesmo dia, na mesma velocidade e na sala de aula. Mas todo mundo é diferente. Para alguns, a aula pode ser muito rápida, lenta demais para outros e para alguns até mesmo na direção errada. Mas dê a eles uma chance, além da escola, eu não digo que vamos abolir a escola, mas além da escola, para seguir a sua vocação desde o início.

BILL MOYERS: Eu adoro essa visão, mas o que pensa do argumento de que as máquinas, como computadores, desumanizam a aprendizagem?

ISAAC ASIMOV: Bem, na verdade, é justamente o contrário. Parece-me que é através desta máquina que, pela primeira vez, vamos ser capazes de ter uma relação "um-para-um" entre a fonte de informação.
Bem, nos velhos tempos, tempos atrás, você costumava ter tutores para crianças. Uma pessoa que pudesse pagar, contratava um pedagogo, um professor, ele iria ensinar as crianças e se ele conhecesse bem seu trabalho, ele adaptaria seus ensinamentos aos gostos e habilidades dos alunos. Mas quantos tinham recursos para contratar um pedagogo? A maioria das crianças ficou sem educação. Então chegamos ao ponto em que era absolutamente necessário educar a todos. A única forma que poderíamos fazer era ter um professor para um grande número de alunos, e no intuito de organizar adequadamente a situação lhe demos um currículo para ensinar. Mas quantos professores são realmente bons nisso? Como em tudo na vida, o número de professores é muito maior do que o número de bons professores. Portanto, ou temos uma relação " um-para-um" voltada para muito poucos, ou uma "um-para-muitos" para muita gente. Agora, há a possibilidade de "um-para-um" e para muitos! Todos podem ter um professor, sob a forma de acesso aos conhecimentos acumulados da espécie humana.

BILL MOYERS: Através das "bibliotecas" que estarão conectadas ao computador na minha mesa, na minha casa. Eu posso sentar lá e chamar... mas e se eu quiser aprender apenas sobre beisebol?

ISAAC ASIMOV: Está tudo bem. Você aprende tudo o que quiser sobre o beisebol porque quanto mais você aprende sobre beisebol, mais você poderia se interessar por matemática e tentar descobrir o que eles querem dizer com essas médias estatísticas, médias de rebatidas e assim por diante. Você pode, no final, tornar-se mais interessado em matemática do que em beisebol se você seguir sua própria vocação e não for forçado. Por outro lado, alguém que esteja interessado em matemática, pode de repente encontrar-se muito intrigado pelo problema de como você joga uma bola em curva, e pode envolver-se com física esportiva... por que não? Por que não?

BILL MOYERS: Mas você sabe Isaac Asimov, temos um problema, temos um péssimo histórico neste país em oferecer às crianças pobres, nem mesmo boas salas de aula, e me pergunto se a nossa sociedade pode aparelhar-se e fornecer a todos, inclusive crianças pobres, bons computadores.

ISAAC ASIMOV: Talvez não no comecinho você sabe, mas é como se você se perguntasse: "Será possível fornecer a todos neste país água potável?" Há muitos países onde é impossível obter água potável, exceto em circunstâncias muito incomuns. Essa foi uma razão para que as pessoas começassem a beber cerveja e vinho, porque o álcool matava os germes, e se você não bebesse isto, você morreria de cólera. Mas há lugares onde você pode fornecer água potável para quase todos. Os EUA provavelmente fornecem abastecimento de água limpa para a maioria de sua população, talvez mais do que qualquer outra nação poderia. Não é de se esperar que todos tenham um computador perfeito de imediato, mas tentaremos isso, e com o tempo, acho que mais e mais o terão. Assim como, pelo amor de Deus, quando eu era jovem, poucas pessoas tinham automóveis, poucas pessoas tinham telefone em sua casa, e quase ninguém tinha um aparelho de ar condicionado. Ora, estas coisas são muito comuns hoje em dia, quase universais. Pode ser da mesma maneira.

BILL MOYERS: Então, em certo sentido, cada aluno terá a sua própria escola particular?

ISAAC ASIMOV: Sim, e esta escola pertence a ele ou ela, ele será o único a decidir sobre o que ele vai aprender, sobre o que vai estudar. Veja bem, isso não é tudo o que ele vai fazer. Ele ainda estará indo para a escola para algumas coisas que ele tem que saber. Certo, e também a interação com outros alunos e com os professores. Ele não pode fugir disso, mas ele tem que procurar a diversão da vida, que é seguir sua própria vocação.

BILL MOYERS: Essa revolução que você está falando, a aprendizagem pessoal, não é apenas para os mais novos certo?

ISAAC ASIMOV: Não, e isso é um ponto importante, não é só para os jovens. Esse é outro problema com a educação como a temos agora. As pessoas pensam na educação como algo que se pode terminar. E mais, quando se termina, que é um rito de passagem para a idade adulta.

BILL MOYERS: Mundo Real, eu terminei...

ISAAC ASIMOV: Certo! "Terminei a escola, eu não sou mais uma criança" e, portanto, qualquer coisa que lembre da escola - ler livros, ter ideias, fazer perguntas - é coisa de criança. Agora você é um adulto, você não faz mais esse tipo de coisa, entende.

BILL MOYERS: E como a prisão, a recompensa da escola está em sair. Os garotos dizem, "quando você vai se formar e sair?"

ISAAC ASIMOV: Toda criança sabe que, a única razão pela qual ela está na escola é porque ela é criança, pequena e fraca, e se conseguir sair antes do previsto, se sai antes, é porque ele é um homem precoce.

BILL MOYERS: Isso é totalmente verdade, eu falei com alguns jovens que abandonaram a escola, e eles pensam que se tornaram homens apenas porque estão fora dela. O que há de errado com eles?

ISAAC ASIMOV: Bem, o que está errado com eles é que você tem todo mundo ansioso para não mais aprender, e até se envergonham de voltar a estudar. Mas se você proporciona algo como isto, de qualquer um, a qualquer idade, pode aprender por si mesmo, pode-se continuar sempre interessado. Não há razão, se você gosta de aprender, para que você pare em uma determinada idade. As pessoas não param de fazer coisas que gostam apenas porque elas atingem uma certa idade. Eles não param de jogar tênis apenas porque fizeram quarenta anos. Eles não param com o sexo apenas porque completaram quarenta. Eles continuam se podem se divertir e com o aprendizado será a mesma coisa. O problema com a aprendizagem é que a maioria das pessoas não gosta dela por causa das circunstâncias. Faça que seja possível gostar de gostar de aprender e eles vão continuar aprendendo. Há a famosa história sobre Oliver Wendell Holmes, que viveu bem até seus noventa anos. Certa vez ele estava no hospital, não tinha muito tempo de vida e já tinha mais de noventa. O presidente Roosevelt foi visitá-lo, e lá estava Oliver Wendell Holmes lendo uma gramática grega. Roosevelt disse: "Por que você está lendo uma gramática grega, Sr. Holmes?" E Holmes disse: "Para melhorar a minha mente, senhor presidente".

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Comentário: O Monge e o Executivo

Um líder, não nasce pronto, ele é modelado a partir de diversos conceitos, experiências, carismas e virtudes próprias. Como seres humanos, somos seres inacabados (imperfeitos), por isso temos necessidades e a partir dessas necessidades procuramos realiza-las a partir da nossa realidade (ex. financeira).
Como um ser não perfeito, é provável que a capacidade de liderar seja ineficiente e até mesmo “deficiente”, onde se corre o risco de considerar-se um bom líder (gerente, governante, diretor...), e nesse momento, agindo apenas no egoísmo e aumentando o ego, criado pela posição de “poder”, o convívio com os subordinados se torna difícil, e o respeito mútuo não é um laço criado.
E quando surge a humildade em querer ser melhor, a possibilidade de ser um verdadeiro líder é possível. Um líder deve lembrar sempre, que ele é o principal motivador, ele que exerce a influência no meio em que é líder, por isso, seu trabalho não resume em ordenar outros. Seus objetivos têm que ser realizados, de forma natural, onde aqueles que convivem com ele sintam a vontade (sem ser pressionados) de ter que realizar determinado ato. Daí terá autoridade perante os outros e não o poder.
Antes de iniciar qualquer aprendizado, é preciso quebrar paradigmas, ou seja, “tirar as viseiras” que não o deixa compreender a situação em que se encontra e não o permite sair da inércia. E perceber que muitas vezes, conceitos que deram certo por muitos anos, já foram superados e a teoria erradicada, esperando apenas a prática deixar de ser realizada.
O líder não está no topo de uma hierarquia piramidal, apesar da idéia ter perdurado por muitos anos e até mesmo funcionar em setores específicos. Ele deve inclinar a pirâmide e entender que deve ser o primeiro a servir. Precisa saber a necessidade de quem ele é líder e tornar a situação melhor.
Lembrando que, as pessoas têm necessidades, como fisiológicas, de imagem e comunicação, uma forma de classificá-las é a Pirâmide Maslow. Segundo Maslow, as necessidades podem se agrupar em 5 categorias: super vivência, segurança, relações e afetos, estima e reconhecimento e auto-realização. Onde o mais importante não está no superficial e sim no na realização pessoal. Numa empresa, só o alto salário não basta, um bom local de trabalho também é necessário.
Um líder que queira mudar a sua situação, a sua realidade e a daqueles que convive com ele, não pode apenas idealizar intenções. Ele tem que somar suas intenções com ações, e tornar uma vontade em fazer.

Citando como um preceito importante, o amor, e tendo como exemplo um líder que institui essa idéia: Jesus Cristo. Pode-se analisar como ele formava futuros líderes: “Certo dia Jesus pergunta a Pedro: Pedro tu me ágapas (ama incondicionalmente)? Pedro responde: Senhor, eu te filiói (te amo como um amigo). Jesus, pergunta novamente: Pedro, tu me ágapas? Ele responde: Senhor, eu te filiói. E pela terceira vez, Jesus: Pedro, tu me filiói? E Pedro responde: Senhor, tu saber que eu te filiói”. E Jesus fala pra Pedro apascentar o seu rebanho, isto é, se você é humano cuida das coisas humanas. E nisso percebemos que um líder delega funções que cada um tem a capacidade de realizar, sem exigir, sendo compreensivo e não repreensivo, atencioso, bondoso, que trata com respeito.

HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. 11. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. 139p.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Τριας

"O mistério da Santíssima É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na "hierarquia das verdades de fé". "Toda a história da salvação não é senão a história da via e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e Único, Pai, Filho e Espírito Santo, se revela, reconcilia consigo e une a si os homens que se afastam do pecado" - CIC 234



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Anais: SOTER 2013 - A ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE E O SEU PROTAGONISMO LEIGO PRÉ-CONCÍLIO VATICANO II

RESUMO: Carlos Fragoso Filho afirma que o Concílio Vaticano II, mesmo com suas transformações de avanço para a Igreja, deixou a Igreja-local de Belo Horizonte num “estado de perplexidade que paralisou, em parte, o vigor de sua ação pastoral”. Diante disso, procuro entender esse posicionamento do autor, através de uma pesquisa histórica, bibliográfica e por meio de documentos da época, tomando como referência a ação do primeiro (arce)bispo D. Antônio dos Santos Cabral e a ação pastoral do Arcebispo D. João Resende Costa no período pré-Vaticano II. Segundo fontes primárias, antes do Concílio, Belo Horizonte se desenvolvia pastoralmente. Primeiro com Dom Cabral e, posteriormente, com Dom João Resende Costa, que empenharam na formação litúrgica e bíblica dos leigos, onde passaram a ter participação ativa e consciente. Na “reciclagem” do clero, dando uma boa formação, esta tinha uma metodologia que era questionada, por ser “avançada”, em consequência disso, o clero de Belo Horizonte, foi mais receptivo às mudanças posteriores. Além do exemplo do clero e dos leigos, Belo Horizonte surpreende pelos seus meios de comunicação de massa, onde esses meios são usados a favor da Igreja e não contra ela. Primeiramente, com o “O Horizonte” e mais tarde, com o “O Diário”. Dom Cabral verá no Vaticano II aquilo que ele iniciou e desejava para a Igreja.

O texto se encontra na página 1327 até 1334

Link do arquivo: http://www.soter.org.br/documentos/documento-XCYUVB4bPzFdjibm.pdf

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Grupo no Facebook sobre Teologia e Ciências da Religião.

Esse grupo tem o objetivo de compartilhar informações sobre eventos (Palestras, Congressos, Simpósios etc), cursos (virtuais ou presenciais, gratuitos ou pagos), vídeos e trabalhos (livros, artigos...) que estejam no campo da Teologia e/ou Ciências da Religião.

https://www.facebook.com/groups/448541341931064/

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Arquidiocese de Belo Horizonte e o seu protagonismo leigo pré Concílio Vaticano II


Resumo

Através deste artigo, procuro entender o posicionamento do autor Carlos Fragoso Filho, o qual afirma que o Concílio Vaticano II, mesmo com suas transformações de avanço para a Igreja, deixou a Igreja-local de Belo Horizonte num “estado de perplexidade que paralisou em parte, o vigor de sua ação pastoral”. Diante disso, procuro entender essa afirmação do autor, através de uma pesquisa histórica, bibliográfica e por meio de documentos da época, tomando como referência a ação do primeiro (arce)bispo D. Antônio dos Santos Cabral e a ação pastoral do Arcebispo D. João Resende Costa no período pré-Vaticano II. Tomo como referência, fundamentalmente, os Jornais: O Horizonte (1923-1934) e O Diário (1935-1972), a tese de doutorado de José Henrique Cristiano Matos, Um estudo histórico sobre o catolicismo militante em Minas, entre 1922 e 1936 e a obra de João Camillo de Oliveira Torres, A Igreja de Deus em Belo Horizonte, descrevendo a história da Arquidiocese, em comemoração aos 50 anos de sua criação.
Segue o link com o arquivo em pdf (visualização online, podendo ser baixado).
Meu texto está na página 455.
La teología de la liberación en prospectiva

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Rhaner e Hick e alguns dos seus paradigmas a respeito do Ecumenismo


1 Paradigmas Cristológicos
1.1  Inclusivista
Nessa teoria “as diversas religiões da humanidade são portadoras de valores soteriológicos positivos para os seus membros, pois nelas e através delas manifesta-se a presença operativa de Jesus Cristo e seu mistério salvífico”
Karl Rhaner – Teologia da “presença de Cristo nas religiões”
Para Rhaner:
  • A Revelação de Deus encontra-se presente e ativa na história da humanidade [incluindo a história das religiões];
  • Jesus é a mais sublime, absoluta e irrevogável auto comunicação de Deus ao homem, como o seu vértice escatologicamente vitorioso, e o cristianismo e a Igreja como portadores da memória desta auto comunicação divina;
  • A operante presença mistérica de Jesus Cristo está nas diversas religiões;
  • Cria a definição de Cristianismo Anônimo: desdobramento de sua perspectiva inclusivista e cristocêntrica.

1.2  Pluralista
O cristianismo não é o único meio de salvação, sendo que, outras religiões também são legítimas portadoras de salvação. O meio de salvação não é Cristo, mas a compreensão de Deus (simplesmente).
John Hick e a centralidade do Real
Para Hick:
·    A encarnação divina de Jesus é metafórica e não literal, sendo apenas um ser humano aberto às influências de Deus e que soube realizar o propósito divino para a vida humana;
·        Filho de Deus significa “servo especial de Deus”;
·        Deus Filho não significa Filho de Deus;
·        A crença cristã da encarnação é uma linguagem mítica;
·        Jesus Cristo deixa de ser constitutivo e normativo da salvação;
·        É arbitrário e irrealista pensar em Cristo como única e exclusiva fonte de salvação;
·        O amor de Deus não se esgota em Jesus.


2 Comparação do pensamento dos dois teólogos.
  Apesar de Hick limitar Jesus como um ser humano que realizou os propósitos de Deus, esse pensamento se aproxima de Rahner, quando ele coloca o ser humano como auto comunicação de Deus [de modo ontológico].

3 Reflexão
Rahner é feliz nas suas afirmações, pois, não nega a importância de Cristo, mantendo sua identidade cristã, porém, reconhece a presença universal da graça à liberdade, a qual conduz a caminhos dinâmicos de salvação. Reconhecendo nas outras religiões, cristãs e não-cristãs destacando seus valores positivos.
John Hick é equivocado quanto a sua identidade cristã ao separar Cristo de Deus, portanto, um herege, ao fazer reflexões sobre Jesus que foram superadas nos primórdios do Cristianismo. Porém, é correto ao afirmar que o cristianismo não é o único e exclusivo meio de salvação. Partindo disso, penso que, mesmo uma religião que não professa uma fé trinitária, mas acredita em Deus, assume o próprio Cristo como salvador (implicitamente), pois, Jesus Cristo é o Deus Filho que não pode ser separado do Pai. 

domingo, 12 de maio de 2013

Breve comentário sobre o Concílio Niceno II


Após as controvérsias cristológicas e trinitárias superadas pelos concílios anteriores, o concílio Niceno II, surge pra resolver as questões iconoclastas, levantadas por Constantino V que não aceitava as representações do divino. Irene, atuando como imperatriz regente, no lugar de seu filho que ainda era criança, convoca o concílio com o intuito de por um fim na heresia iconoclasta. Nesse concílio é reafirmado o culto as imagens, como forma de veneração aos santos representados por eles, distinguindo claramente do culto de adoração, que é somente a Deus.
Porém, depois de Irene, a iconoclastia volta com vigor, através do imperador Leão V, rejeitando o Concílio Niceno II. Com a morte de Leão, a esposa do imperador Teófilo, através de um sínodo fecha as questões a respeito das imagens, legitimando o culto.

Breve comentário sobre o Quarto Concílio de Constantinopla ou “Quinisexto”


Justiniano, preocupado com o aspecto prático e doutrinário da Igreja, vê nos dois concílios anteriores apenas a questão doutrinária. E temendo um avanço político da Igreja, perdendo o caráter que ela devia ter, junto com o Patriarca de Constantinopla Paulo III, convocaram um concílio disciplinar. Porém, as questões práticas apenas completavam as deliberações do quinto e sexto concílios ecumênicos, daí o nome “Quinisexto”.
Atrás das boas intenções de Justiniano, estava o desejo de decodificar o direito da Igreja como o fez no romano. E a Igreja romana, não aceitava a idéia de uma decisão ser tomada sem aviso prévio.
Além disso, fica descontente, pois os cânones eram contrários à Roma, condenando algumas práticas ocidentais, como o celibato e jejum aos sábados da Quaresma. Nisso, percebe-se o que Justiniano não o viu, as duas Igrejas já se encontravam distantes, com autonomia e identidades próprias.

Breve comentário sobre o Concílio Constantinopolitano II


Após o Concílio de Calcedônia, houve tensões entre Roma e Constantinopla, destacando-se a questão dos Três Capítulos, que consistia na preposição anematizando Teodoro de Mopsuéstia e seus escritos; todas as obras de Teodoreto de Ciro e as cartas de Iba de Edessa a “Mari”. E saber se eles eram ou não ortodoxos, já que suas obras eram “não calcedonianas”.
O Imperador Justino, com a pretensão de encorajar a ortodoxia, e aceitar as decisões do Concílio de Calcedônia, que não foram aceitas pelos três “não calcedonianos”, cogita a assinatura dos Três Capítulos e pressiona o Papa Vigílio, já que este se recusava a assinar o texto.
Diante dessa tensão foi convocado um concílio, o Constantinopolitano II, e o Papa Vigílio se encontrava numa situação difícil, pois queria participar do concílio, porém queria evitar um confronto direto com Justiniano, além de que os bispos ocidentais não o perdoariam caso participasse de um concílio que ele havia renegado. O concílio tratava do monofisismo e do origenismo.
Justiniano colocou Pelágio no poder papal, mas sob a condição de que aceitasse as decisões do concílio, já que era contrário a essas idéias. Com isso, Justiniano conseguiu diminuir a oposição na Itália. Mas, não conseguiu resolver a questão monofisista, que não aceitaram suas decisões. E mesmo, promulgando um decreto que aceitava moderadamente os monofisistas, teve um fracasso.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Qual o significado e a amplitude de Trento, inclusive para os dias atuais?

Trento, apesar de ter surgido no período da Reforma Protestante e ter sido concebido como Contra Reforma, nasceu de uma necessidade que vinha durando vários séculos e teve nesse período, o estopim, pois começara a perder seus fiéis para o protestantismo. Logo, o Concílio não foi uma Contra Reforma, mas sim, uma Reforma Católica, que via a necessidade de afirmar sua identidade diante do novo grupo que surgia.
Trento visa uma reforma desde o alto clero, presente em Roma, até os párocos das mais simples paróquias. É a partir de então, que tem fim o período de escândalos entre os papas e o início da preocupação espiritual. Também entre os bispos, cresce o zelo apostólico e pastoral, por isso, terão que fazer pregações e não poderão ficar ausentes de suas dioceses por longo período.
No campo dos estudos teológicos, são valorizados os estudos das Escrituras sob a luz da Tradição e do Magistério. Método, que de certa forma, ainda é usado, excluindo o conceito de sola scriptura.
Na formação dos padres e criação de seminários, cresceu um rigorismo para evitar escândalos no clero. Os métodos de formação dessa época ainda têm resquícios entre os conservadores considerados ultramontanos.
Desse período, afirmou “identidades” que ainda estão presentes no seio das comunidades, como: hierarquia, forte devoção a Maria, valorização dos sacramentos. Os excessos deram origem a uma religiosidade popular e pouco crítica.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tese reassuntiva - História do Cristianismo - Idade Moderna

“A Idade Moderna, ao mesmo tempo se caracteriza por ser a época dos dogmas e das dúvidas. De um lado, vemos a construção de duas novas identidades: a católica e a protestante, cada qual, a seu modo, herdeiras da Cristandade Medieval e síntese do esforço evangelizador num novo contexto.”

O catolicismo e o Protestantismo estão ligados um ao outro como duas partes de um edifício, que somente pode manter-se de pé e firme, se as duas partes se sustentarem mutuamente” [1] – Grings, 1978, pág. 17 apud Kierkegaard, 1952, pág. 213
Desde o cisma que separou Protestantismo e Cristianismo, esses passaram a atacar o outro mostrando o que cada um desses tem de pior; os seus defeitos. Diante disso, os cristãos devem valorizar o que têm em comum e não ficarem nas intrigas das diferenças, pois Cristo não foi dividido (1Cor 1,13). E vê o que os une é a fé no mesmo Cristo; Deus que se encarna e se faz presente na História do seu povo. Por isso, é necessário ver como é o edifício metaforicamente citado acima, onde mostra a vitalidade do cristianismo. Só assim, será possível pensar na unidade dos cristãos, uma vez que “não se ama o que não se conhece”.
Protestantismo
  • Saiu do individualismo;
  • Dedicou à atividade missionária;
  • Distribui a Bíblia, traduzindo-a para o vernáculo, como forma evangelizadora;
  • Preocupou-se, primeiramente, com o movimento ecumênico;
  • Organizou o Conselho Mundial de Igrejas;
  • Institui a vida monacal em seu meio;
  • Reforma litúrgica e aceitação de sacramentos.
Catolicismo
  • Foi protagonista na preocupação dos grandes problemas da humanidade, usando sua autoridade de Mãe e Mestra, contra as guerras e problemas sociais, como a fome, a educação e a opção pelos pobres;
  • Diante das dificuldades, foi capaz de reconhecer as falhas e convocou concílios;
  • Aderiu e tomou força na luta pela unidade dos cristãos;
  • Revigorou a atividade missionária nos vários continentes;
  • Reforma litúrgica;
  • Renovação teológica: mais vivencial e atualizada;
  • Renovação dos Papas: passaram e reformular a mensagem cristã em todas as situações e problemas da atualidade;
  • Renovação no campo da exegese bíblica.

Bibliografia: GRINGS, Dadeus, Vitalidade do Cristianismo no Século XX, Vozes, Petrópolis, 1978.
Frater Henrique, Estudos e documentos, vol. III, pág.159-162.


[1] Adam, W. H., The Living Thougts os Kierkegaard, Nova York, 1952, p.213

Recomendação e breve apresentação do livro de Lima Vaz: Experiência Mística e Filosofia na Tradição Ocidental

Um fenômeno comum, que se tem percebido é a inadequação de alguns termos em determinados contextos, tendo assim uma “deterioração semântica”, levando ao risco, palavras com grande riqueza no seu significado, cair num vocabulário totalmente contrário ao seu uso. Tomo alguns exemplos, antes de citar os que o livro apresenta. O termo ‘leigo’, que é aquele que não é ordenado, numa perspectiva religiosa, passou a ser tido como, o que não sabe sobre determinado assunto, e o ‘ignorante’ que realmente é aquele inepto no assunto, é tido como alguém estúpido e grosseiro. Como esvaziamento semântico, Lima Vaz, coloca a palavra ‘Mística’, que dentre tantas palavras, fora uma das mais vulgarizadas. No sentido original, pode elevar o ser humano, às mais altas formas de conhecimento e de amor que lhe é permitido alcançar na vida.
O termo mística e de seus derivados diz respeito a uma forma superior de experiência, de natureza religiosa, ou religioso-filosófica (Plotino), que se desenrola normalmente num plano transracional – não aquém, mas além da razão -, mas por outro lado, mobiliza as mais poderosas energias psíquicas do indivíduo.” (VAZ, 2000, pág. 09)
A forma original se difere das outras, pois: 1) tem um lugar num plano transracional, indo além da razão; 2) há a conciliação entre inteligência e amor; 3) é pessoal, por isso, não poder ser partilhada; 4) a razão transcende a si mesma e volta para Deus, apresentado como Absoluto.

Antropologia da Experiência Mística
Para compreender a experiência mística, é necessário conhecer o ambiente antropológico a que pertence, pois parte da relação do ser humano e o seu  lugar histórico, com o Absoluto. Essa experiência, subjetiva e objetiva pode ser expressa de forma pedagógica através de um triângulo, que compõe  “místico-mística-mistério”. (VAZ, 2000, pág. 17 apud LOPEZ, 1977)
Vaz, ainda apresenta outros conceitos arquétipos para expressar o “conhecer a si, pelo mais íntimo de si mesmo”, novamente, de forma pedagógica, através de um “quiasmo” expressando o interior-superior, interior-exterior, inferior-superior e inferior-exterior. (VAZ, 2000, pág. 19)
 
Formas da Experiência Mística na Tradição Ocidental
·        A mística especulativa:
É continuação da experiência metafísica no que se refere ao caráter experencial, tendo como sentido o pensamento voltado para o mistério do Ser. Tem por característica, que a define, ser a mística do conhecimento.
A mística especulativa é, portanto, o esforço mais audaz – na mística natural – e o apelo mais radical – na mística sobrenatural – para que o espírito humano, seguindo o roteiro do logos, penetre no domínio do translógico.” (VAZ, 2000, pág. 30)
A mística especulativa tem uma estrutura que tem por eixos, subjetivo: estando relacionado à alma, ao conhecimento, sendo a inteligência no seu mais alto grau; objetivo: reflete a capacidade do humano de conhecer e amar o Absoluto.
  • A mística mistérica
Toda mística é mistérica, apesar de receber essa definição como uma das formas. A experiência mística com Deus faz analogias com os cultos gregos (pagãos), influenciando-a através da história.
é preciso não esquecer que, sendo uma experiência, a mística mistérica é vivida, evidentemente, no campo interior da consciência.” (VAZ, 2000, pág. 46)
  • A mística profética
“Constitui em torno da Palavra da Revelação, tal como é comunicada, recebida e vivida ao longo da tradição bíblico-cristã. Assim como a mística especulativa é a mística do conhecimento – saber e contemplação, gnosis e theoria – e a mística mistérica é uma mística da vida – assimilação e divinização, homoíosis e theíosis -, a mística profética é uma mística da audição da Palavra – fé e caridade, pístis e ágape -, ou seja, é uma mística que floresce no terreno da Palavra de Deus.” (VAZ, 2000, pág. 57)
a mística profética eleva a especulativa e a mistérica, fazendo participar da “sabedoria de Deus no mistério” (VAZ, 2000, pág. 58)
Essa experiência pode ser subjetiva e objetiva, e sua estrutura pode ser apresentada pelo esquema:
Profundidade de Deus
                                   Rm 8,33                       1Cor 2,10
                                 

Contemplação


Mistério
               Cristo Jesus
                                   Fé             Experiência                Palavra

 Difere-se das outras tradições, mantendo o caráter de experiência cristã, através da mediação. Essa mediação tem por centro, como totalidade, Jesus Cristo. Algumas formas que valem ser citadas:
a)      mediação criatural: o ser humano depende de Deus, pois Ele criou tudo;
b)      mediação da graça: exclui o esforço humano e parte de Deus como dom gratuito;
c)      mediação histórica: é o fundamento das outras mediações; parte da concepção da Encarnação do Verbo na História.

Em nível de conclusão, percebe-se que a mística através dos seus esquemas pedagógicos, ajuda o ser humano também ser espiritual, a compreender a sua experiência mística na modernidade. A qual, sem esses diagramas e percepções, o indivíduo moderno fica perdido diante da sua realidade ao Mistério de Deus.

Referência: VAZ, Henrique C. de Lima, Experiência Mística e Filosofia na Tradição Ocidental, Edições Loyola, 2000.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Heresias Cristológicas

Contexto e descrição
Ortodoxia
Docetismo:
Nega a humanidade de Cristo, colocando-a como apenas aparente, segundo o qual Jesus era apenas divino.

Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus;
Como lembra o Evangelho de João: “O Verbo se fez carne...”
É combatido por Irineu de Lião (Adversus Haereses)
A condenação foi reafirmada no Concílio Ecumênico de Calcedônia (451).
Ebionismo:
Jesus Cristo é Messias, mas não é Deus;
Jesus Cristo não nasceu de uma virgem, mas sim foi gerado por José com Maria por meio carnal;
Ter-se-ia tornado Filho de Deus pelo batismo;
Enfatiza a natureza humana de Cristo.
É combatido pelos Padres da Igreja: Inácio de Antioquia (Epístola aos Filadélfos, cap. IV); Irineu de Lião (Adversus Haereses); Eusébio de Cesaréia (História Eclesiástica); Tertualiano (Apêndice, Contra todas as heresias); Orígenes (Filocalia; Comentário sobre Mateus; Contra Celso); Jerônimo de Strídon (Carta para Agostinho); Agostinho de Hipona (Carta para Jerônimo); Epifânio (Panárion)
Adocionismo: É uma das ramificações do monarquismo (Sendo a outra o modalismo);
Jesus nasceu humano e foi adotado como Filho de Deus pelo batismo.
No concílio de Antioquia (séc. III), a Igreja afirma que Jesus é Filho de Deus por natureza e não por adoção;
Condenado nos concílios de Frankfurt (794, pelo Papa Adriano I) e Roma (799, pelo Papa Leão III)
Cristianismo-gnóstico:
Apresenta um cristianismo mais profundo e filosófico, principalmente em relação às Parábolas de Jesus. Deu origem a várias correntes heréticas.
Foi combatido através das correntes heréticas a qual deu origem.
Arianismo:
Jesus é filho de Deus, e não é Deus, por isso não é consubstancial a Ele (“Pai Eterno”);
É subordinado ao Pai;
É condenado pelos concílios de Nicéia I (325) e Constantinopla I (381);
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.”

Apolinarismo:
Jesus possuía um corpo humano e era dotado de uma mente divina.
Criticado pelos Padres da Igreja: Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesaréia, Gregório de Nissa e Gregório de Nazianzo;
Condenado no Concílio de Constantinopla (381).
Nestorianismo:
Afirmava a diferença entre a natureza humana e divina de Jesus, sendo vagamente unidas;
Afirmava que Maria é mãe de Cristo e não mãe de Deus.
Condenado no Concílio de Éfeso (431).
Cristo é uma substância e uma natureza;
A Virgem Maria é a mãe de Deus
Monofisismo:
Afirmava que Cristo tinha apenas uma natureza, onde a humanidade foi absorvida pela divindade.
Condenado no Concílio de Calcedônia (451).
Monotelismo:
Jesus Cristo, possui duas naturezas, mas havia só uma vontade, identificada pela humana com a divina.
Condenado no Concílio de Constantinopla III (681)
Eutiquianismo:
A natureza divina de Cristo consome sua natureza humana.
Essa visão é condenada no Concílio de Calcedônia (451).
Miafisismo:
Cristo tem as duas naturezas: humana e divina, mas que se unem formando apenas uma única Natureza de Cristo.
Essa visão é condenada no Concílio de Calcedônia (451).
Sabelianismo:
Jesus e Deus não são pessoas distintas, mas dois modos de Deus se mostrar.
É criticado pelos Padres da Igreja: Hipólito de Roma, Tertuliano, Dionísio de Roma.
Os Concílios Constantinopla I (381) e III (680) invalidam o batismo de Sabélio, junto com sua doutrina.
Judeu-cristianismo:
Somente passou a ser heresia nos conflitos internos entre os judaizantes e os pagãos convertidos; os primeiros consideravam as práticas judaicas autênticas para o “novo” judaísmo nascente (cristianismo).
Como heresia cristológica, é a crença monoteísta em Deus, não permitindo uma filiação do Pai.
Foi superado pelas primeiras comunidades, é possível perceber isso na formação da comunidade de Mateus e no primeiro Concílio, o de Jerusalém, descrito em Atos dos Apóstolos.
A crença herético-cristológica, foi "combatida" através dos Evangelhos, os quais, afirmam a filiação divina de Cristo (Tendo mais ênfase, o Evangelho de João).


A ortodoxia Cristológica e Trinitária é possível ser vista através dos seguintes Credos, que sintetizam o ato de fé, dando uma resposta aos grupos heréticos que surgiram.

Credo de Niceia e Constantinopla
Credo de Éfeso e Calcedônia
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
gerado do Pai antes de todos os séculos
Deus de Deus, Luz da luz,
verdadeiro Deus de verdadeiro Deus,
gerado, não feito,
da mesma substância do Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E, por nós, homens,
e para a nossa salvação,
desceu dos céus:
Se encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado
sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia,
conforme as Escrituras;
E subiu aos céus,
onde está assentado à direita de Deus Pai.
Donde há de vir, em glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor e fonte de vida,
que procede do Pai (e do Filho);
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele falou pelos profetas.
Creio na Igreja
Uma, Santa, Católica e Apostólica.
Confesso um só batismo para remissão dos pecados.
Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo vindouro.
Amém. 
Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso,
criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo,
O Filho de Deus,
unigênito do Pai,
da substância do Pai;
Deus de Deus,
Luz de Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai;
por quem foram criadas todas as coisas
que estão no céu ou na terra.
O qual por nós homens e
para nossa salvação, desceu (do céu),
se encarnou e se fez homem.
Padeceu e ao terceiro dia
ressuscitou e subiu ao céu.
Ele virá novamente
para julgar os vivos e os mortos.
E (cremos) no Espírito Santo.
E quem quer que diga que houve um tempo
em que o Filho de Deus não existia,
ou que antes que fosse gerado ele não existia,
ou que ele foi criado daquilo que não existia,
ou que ele é de uma substância
ou essência diferente (do Pai),
ou que ele é uma criatura,
ou sujeito à mudança ou transformação,
todos os que falem assim, são anatemizados
pela Igreja Católica e Apostólica.