sábado, 24 de setembro de 2011

Obra cinematográfica "Narradores de Javé" em comparação com a Tradição bíblica


Em analise ao filme ‘Narradores de Javé’ e a formação do povo da Bíblia, encontra-se pontos em comum e pontos teológicos. E esses pontos teológicos são os fundamentais para uma compreensão enriquecedora do filme.
Um ponto importante, que é notório, é a tradição oral, onde o povo conta e reconta sua história através das gerações, pra contar a sua formação. E em determinado momento vêem-se na necessidade de escrever sua história.
Ligando a outro ponto, é a autenticidade dos dados narrados. E surge a pergunta: “Quem narra de forma correta os fatos?”, diferente da Bíblia, que está ligada à questões de fé, inspiração e Revelação.
Em todas as narrativas do povo, é citado o nome do mesmo fundador do povoado, e em todas os narradores têm uma relação genealógica com o fundador. Lembrando Abraão, o primeiro patriarca, que tem sua genealogia estendida a muitos personagens bíblicos.
No povoado de Javé, há a presença do sino da igreja, que lembra a Arca da Aliança, que caminha com seu povo por onde ele vai. Chegam e saem da terra com o sino. Existe um grande respeito por ele, quando toca o povo se reúne.
Em Javé, surge uma figura profética, um morador antigo, que vê o cenário, a realidade e mostra as conseqüências disso para o povo, sem pretensão de revelar o futuro. Tanto os fundadores de Javé, quanto os hebreus saídos do Egito, buscam uma "terra prometida". E os dois, são "invadidos" por pessoas (povos) que querem usufruir da região sem preocupar com o povo já ali presente.


Título original: (Narradores de Javé)
Lançamento: 2003 (Brasil)
Direção: Eliane Caffé
Atores: José Dumont, Matheus Nachtergaele, Jorge Humberto e Santos, Gero Camilo.
Duração: 100 min
Gênero: Drama


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A figura do profeta e sua palavra

O profeta não nasce do acaso, sua visão profética vem da interpretação e elaboração de uma realidade cultural, social, política, econômica e até mesmo religiosa, em que vive. Ele surge como um anunciador é o porta-voz de Deus, e sua vocação está diretamente ligada ao seu contexto social, já que pode ser agricultor, pastor, filho de profeta, estrangeiro, ser do templo ou da corte, homem ou mulher (profetisa, como exemplo a esposa de Isaías). Sua vocação vem do chamado de Deus.
A mensagem do profeta pode ser dedutiva ou de “vidente”. Sendo que, a idéia de vidente para o profeta vem dos povos pagãos, onde os oráculos faziam previsões para o futuro (exemplo, oráculo de Delfos). Mas, são poucos que são assim chamados ou se dão esse nome. E também, poucos os que faziam a promessa messiânica, apesar da tradição cristã resumir os profetas como anunciadores do Messias.
Por causa de sua palavra, o profeta bíblico pode ser perseguido ou ser respeitado. Ele não cede e toma partido, é fiel a sua vocação e não um bajulador como os profetas dos outros povos. Sua palavra não muda, apenas sofre adaptações ao período em que vive. Está carregada de muitos símbolos, e tem gêneros literários diferentes, por  isso exige uma interpretação adequada para evitar uma confusão do texto quando lido literalmente.
Apesar do tempo em que foi escrito e o motivo pelo qual foi, pode-se afirmar que a mensagem profética ainda é atual, porque mesmo em contextos diferentes, os problemas que atingem a sociedade são os mesmo, divergindo em apenas alguns pontos. Porém, deve-se ter cuidado para não interpretar um texto antigo como previsão do que está acontecendo nos tempos atuais.

Exegese de Daniel 7


Trabalho apresentado ao curso de Teologia como requisito parcial de aprovação na disciplina Exegese Bíblica (Apocalíptica - Antigo Testamento) - 08/06/2011.
  1. A perícope no conjunto da obra:
O livro de Daniel é um livro apocalíptico, um gênero literário que surge em momentos de crise extrema. Seu relato é obscuro, caracterizado por um grande número de imagens e símbolos, que são códigos compreensíveis apenas para o grupo a quem se dirige, para que os que não pertencem à comunidade não compreendam a sua mensagem. Além de fazer menção a relatos de forma velada, tem como objetivo geral trazer a esperança para o povo fiel, representado pelos macabeus.
O autor, que se intitula Daniel, escreve o livro por volta do ano 175-164 aC, no período dos macabeus, que estavam sendo perseguidos pelos selêucidas, mas como artifício literário o autor coloca-se entre os anos 600 a 500 aC, no período dos babilônios.
Ele não está preocupado com a narrativa dos fatos e sim com a mensagem que ele transmite, já que ele quer incentivar a fé e a esperança diante da dominação grega. Exemplo disso é o capítulo 7.
O livro é o único que se encontra em vários idiomas, sendo que se encontra em grego (3,52-90; 13 e 14), aramaico (2,4b–7,28), hebraico (1,1–2,4a e capítulos 8 a 12) e um acréscimo em latim em 14,42, que corresponde à benção do rei, que se encontra apenas na tradução da vulgata. Apesar dos três idiomas principais, o livro é dividido em duas partes: de 1 ao 6 onde há relatos dos sonhos e as interpretações de Daniel. E de 7 ao 12, onde há os relatos das visões.
O capítulo 7 em especial é o marco que divide os sonhos das visões, pois o mesmo texto apresenta os dois elementos. Ele lembra o capítulo 2, que relata o sonho da estátua, pois seu significado é parecido.

  1. Analise lingüística:
1- No primeiro ano de Baltasar, rei de Babilônia, Daniel, estando em seu leito, teve um sonho, e visões lhe assomaram a cabeça. Ele redigiu o sonho por escrito. Eis o começo da narrativa:
Através de sonhos e visões, Daniel coloca os animais como anúncios pré-cognitivos, como se não conhecesse a história até o período da dominação do império grego.
O sonho e as visões são características comuns no apocalipse, onde há cenas incompreensíveis sem uma interpretação. O autor escreve o sonho: ele guarda o que vê até o momento certo de revelar o que viu.
2- Tomou a palavra Daniel, dizendo: Eu estava contemplando a minha visão noturna, quando vi os quatro ventos do céu que agitavam o grande mar.
O relato acontece na visão noturna, pois está sonhando, e o gênero apocalíptico apresentado é em sonho; os quatro ventos referem-se a todos os lugares do mundo (quatro lados do mundo); o grande mar quer dizer, que os Impérios sairão de terras além do mar.
3- E quatro animais monstruosos subiam do mar, um diferente do outro.
Os quatro animais são quatro reinos, os mesmos mencionados no capítulo 2. Esses reinos são Babilônia, Média, Pérsia e Grécia.
4- O primeiro era semelhante a um leão com asas de águia. Enquanto eu o contemplava, suas asas lhe foram arrancadas e ele foi erguido da terra e posto de pé sobre suas patas como um ser humano, e um coração humano lhe foi dado.
O leão é um símbolo babilônico e representa seu poder; suas asas são o seu grande poder; elas são arrancadas, pois o império perde o poder.
5- Apareceu um segundo animal, completamente diferente, semelhante a um urso, erguido de um lado e com três costelas na boca, entre os dentes. E a este diziam: “Levante-te, devora muita carne!”
O urso é o império dos medos. Ele estava de pé, pois estava preparado pra atacar; é um império com toda a sua força, pronto pra atacar qualquer povo, mesmo que ele seja bom e completo (três).
6- Depois disso, continuando eu a olhar, vi ainda outro animal, semelhante a um leopardo, que trazia sobre os flancos quatro asas de ave; tinha também quatro cabeças e foi-lhe dado o poder.
O leopardo é o império persa. É um império cujo poder pode dominar todo o mundo se o quiser, pois tem quatro asas e quatro cabeças (lembrando os quatro cantos do mundo) e, por ter quatro cabeças, tem potencial para ter chifres, que representa muito poder.
7- A seguir, ao contemplar essas visões noturnas, eu vi um quarto animal, terrível, espantoso, e extremamente forte: com enormes dentes de ferro, comia, triturava e calcava aos pés o que restava. Muito diferente dos animais que o haviam precedido, tinha este dez chifres.
O quarto animal é o império grego, que tinham armas que nenhum outro povo conhecia, além de ferramentas e arsenal para guerra. Esses dez chifres representam os dez reis gregos.
8- Enquanto eu considerava esses chifres, notei que surgia entre eles ainda outro chifre, pequeno, diante do qual foram arrancados três dos primeiros chifres pela raiz. E neste chifre havia olhos como olhos humanos, e uma boca que proferia palavras arrogantes.
Nesse versículo, termina o relato do sonho.
O chifre pequeno é Antíoco Epífanes que se impôs sobre seus rivais (três reis) eliminando-os. O chifre pode ser usado como corneta, por isso proferia palavras arrogantes, não respeitando nada. Seus olhos são o conhecimento; é um rei que conhece tudo o que acontece.
9- Eu continuava contemplando, quando foram preparados alguns tronos e um Ancião sentou-se. Suas vestes eram brancas como a neve; e os cabelos de sua cabeça, alvos como a lã. Seu trono eram chamas de fogo com rodas de fogo ardente.
Uma cena celeste mostra Deus em sua majestade. Deus é o Ancião, o Rei, o Juiz, o Sacerdote.
Ancião é alguém sábio e justo; vestido de branco é um sacerdote; o cabelo branco porque é idôneo, é um juiz, também pode simbolizar a eternidade.
            Deus está em um trono com chamas de fogo, pois ele é fogo devorador.
10- Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Mil milhares o serviam, e miríades de miríades o assistiam. O tribunal tomou assento e os livros foram abertos.
            Deus é o juiz, por isso ele abre os livros, onde há as sentenças; as miríades são seus assessores.
11- Eu continuava olhando, então, por causa do ruído das palavras arrogantes que proferia aquele chifre, quando vi que o animal fora morto, e seu cadáver destruído e entregue ao abrasamento do fogo. 12- Dos outros animais também foi retirado o poder, mas eles receberam um prolongamento de vida, até uma data e um tempo determinados.
            Deus julgou todos os impérios, como lembra Dn 5, seus poderes tiveram os anos contados e pesados; receberam sua sentença e tiveram um fim;
13- Eu continuava contemplando, nas minhas visões noturnas, quando notei, vindo sobre as nuvens do céu, um como Filho do Homem. Ele adiantou-se até ao Ancião e foi introduzido à sua presença.
O Filho do homem não é nenhuma referência ao Messias, apesar de ser atribuído a Jesus posteriormente. Aqui ele é apresentado em oposição às feras. É um ser totalmente humano, pois é Deus governando, e Ele governa com humanidade, ao contrário dos outros que governam com animalidade. As nuvens são o carro de Deus; Deus desce do céu e vem governar com seu povo;
14- A ele foi outorgado o império, a honra e o reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. Seu império é um império eterno que jamais passará, e seu reino jamais será destruído.
Agora Deus governa e seu reino é eterno e não passageiro como dos outros reinos. Seu poder não será sobreposto por nenhum outro, pois Ele é mais poderoso.
15- Eu, Daniel, fiquei inquieto no meu espírito, e as visões de minha cabeça me perturbavam.
            Daniel fica inquieto e perturbado com a visão, porque é difícil de entender. Este é um artifício próprio do gênero apocalíptico.
16- Aproximei-me de um dos que estavam ali presentes e pedi-lhe me que dissesse a verdade a respeito de tudo aquilo. E ele me respondeu, fazendo-me conhecer a interpretação dessas coisas:
            Por ser uma visão difícil, Daniel precisa de ajuda pra entender. Então se aproxima de um dos assessores do Juiz, para que estes possam ajudá-lo no desvelamento da visão.
17- “Esses animais enormes, em número de quatro, são quatro reis que se levantarão da terra.
            Como citado antes, esses animais são os reinos.
18- Os que receberão o reino são os santos do Altíssimo, e eles conservarão o reino para sempre, de eternidade em eternidade”.
            Os santos do Altíssimo são os macabeus ou todos aqueles que permaneceram fiéis. O autor de Daniel, esperando o momento de libertação de Antioco IV e vivendo na esperança que seu povo um dia poderá estabelecer uma nação, demonstra sinais de esperança através das palavras de que conservarão o reino para sempre, de eternidade em eternidade.
Porém, fica claro, que o autor não previu o futuro e sim é contemporâneo aos macabeus, que faz memória do passado. Devido a isso, não sabe que serão dominados pelos romanos, anos depois.
19- Quis, então, saber a verdade acerca do quarto animal, que era diferente de todos os outros, extremamente terrível, com dentes de ferro e garras de bronze, que comia e triturava, e depois calcava aos pés o que restava; 20- e também sobre os dez chifres que estavam na sua cabeça – e outro chifre que surgiu e diante do qual três dos primeiros caíram, esse chifre que tinha olhos e uma boca que proferia palavras arrogantes, e cujo aspecto era mais majestoso que o dos outros chifres... 21- Estava eu contemplando: e este chifre movia guerra aos santos e prevalecia sobre eles, 22- até o momento em que veio o Ancião e foi feito o julgamento em favor dos santos do Altíssimo. E chegou o tempo em que os santos entraram na posse do reino. 23- E ele continuou: “O quarto animal será um quarto reino sobre a terra, diferente de todos os reinos. Ele devorará a terra inteira, calcá-la-á aos pés e a esmagará. 24- Quanto aos dez chifres: são dez reis que surgirão desse reino, e outro se levantará depois deles; este será diferente dos primeiros e abaterá três reis; 25- proferirá insultos contra o Altíssimo e porá à prova os santos do Altíssimo; ele tentará mudar os tempos e a Lei, e os santos serão entregues em suas mãos por um tempo, dois tempos e metade de um tempo. 26- Mas o tribunal dará audiência e o domínio lhe será arrebatado, destruído a nada até o fim.
            Nesses versículos há uma repetição dos relatos anteriores. São retoques feitos pelo redator, onde termina mostrando que o julgamento de Deus será inabalável e o perseguidor destruído, transformando o caos em cosmos.
Tentar mudar os tempos e a Lei é uma referência a Antíoco IV que quis mudar o calendário judaico para acabar com as festas e a Lei, que é a Tora.
Metade de um tempo significa três anos e meio, que é metade de sete (um período completo). Esse tempo, por não ser um número completo, indica que a perseguição terá seu fim.
27- E o reino e o império e as grandezas dos reinos sob todos os céus serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo. Seu império é um império eterno, e todos os impérios o servirão e lhe prestarão obediência”.
            Novamente surge a esperança do autor: no fim, Deus governará tudo.
28- Aqui termina a narrativa. Eu, Daniel, fiquei muito perturbado em meus pensamentos, e a cor do meu rosto mudou. E conservei tudo isto em meu coração
            Daniel relembra que tudo foi perturbador e por isso fica pensativo. Ele guarda tudo no coração, já que não é o momento de revelar nada a quem esta no poder. Ele espera pacientemente o momento de Deus agir.

  1. Análise Pragmática
É um tempo de intensa helenização  de Jerusalém e dos territórios judaicos. Antíoco Epífanes profanou o templo, e produziu um grande abismo entre os judeus: os que aceitam as práticas helenísticas e os que permanecem fiéis à cultura político-religiosa, os macabeus.
Devido a isso, o autor vem mostrar através desse texto, uma lição de esperança para o povo que estava sofrendo perseguição de Antíoco Epífanes, por isso ele relembra o passado, mostrando para a comunidade para a qual escreve que eles também já foram dominados por outros impérios poderosos, e que Deus agiu e os libertou. Daí ele quer mostrar ao povo que Deus também iria intervir sob a ameaça que estavam sofrendo, pois Deus não abandona os fiéis.
  1. Hermenêutica
Hoje, para uma melhor compreensão das palavras de Daniel, podemos lembrar o trecho da música que diz “apesar de você amanhã há de ser outro dia”. Diante das diversas dificuldades que surgem ao longo da vida, devemos ser perseverantes e ter esperança em Deus, pois Ele mesmo não interferindo diretamente nas nossas vidas, está caminhando conosco. E mesmo que as nossas dificuldades sejam o domínio de outros, seja através das palavras, ações e até mesmo privação da nossa liberdade, Deus julgará o opressor e recompensará os cativos.

Convite aos católicos

Propaganda da Igreja Católica

Esse vídeo não tem a intenção de um proselitismo, mas sim um convite aos católicos, para que possam repensar sua fé e na fidelidade à sua Igreja.

sábado, 17 de setembro de 2011

Jesus vai ao estádio

Jesus Cristo nos disse que nunca havia visto uma partida de futebol. Então meus amigos e eu o levamos para que assistisse a um jogo. Foi uma batalha tremenda entre os “Punchers”, protestantes, e os “Crusaders”, católicos.

Quem marcou primeiro foram os “Crusaders”. Jesus aplaudiu alegremente e jogou para cima seu boné.
Depois os “Punchers” marcaram, e Jesus voltou a aplaudir entusiasmado e novamente seu boné voou pelo ar.

Isso parecia confundir um homem que estava atrás de nós. Então ele deu um tapinha no ombro de Jesus e perguntou-lhe:
- Para que time você está torcendo, cara?
- Eu? – respondeu Jesus visivelmente animado pelo jogo. – Ah! Eu não torço por nenhum time, apenas desfruto o jogo.
O homem voltou-se para seu vizinho da arquibancada e, fazendo um gesto de desagrado, cochichou-lhe:
- Hum... Um ateu!

Ao voltarmos, informamos Jesus da situação religiosa do mundo atual, dizendo:
- É curioso o que acontece com as pessoas religiosas, Senhor. Sempre parecem pensar que Deus está ao seu lado e contra os do outro grupo.

Jesus concordou:
- É por isso que eu apoio, não as religiões, mas sim as pessoas. Estas são mais importantes que as religiões; o homem é mais importante que o sábado.

Então um dos nossos disse a Jesus:
- O Senhor deveria ter mais cuidado com o que diz, pois já foi crucificado uma vez por dizer coisas semelhantes, o senhor se lembra?

E Jesus respondeu com um sorriso irônico:
-É! Exatamente por pessoas religiosas.


Anthony de Mello

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Theótokos (Θεοτόκος)

Eleoúsa (gr.: Ἐλεούσα)

Neste ícone, Maria, com um olhar triste, olha para toda a humanidade que rejeita seu filho. Jesus a segura de forma muito carinhosa confiando em seu amparo maternal. As duas estrelas no manto de Maria lembram a virgindade antes e depois do parto.

Pantocrátor (Παντοκράτωρ)