sábado, 29 de outubro de 2011

Comentário de alguns termos em Teologia Espiritual: VOCAÇÃO

Quando se toma o termo ‘vocação’, é adotado para seu significado apenas o que é religioso e sacerdotal, descartando as outras vocações (não religiosas), rebaixando-as somente como meras profissões. O que é um problema grave, pois esses grupos supracitados se apossaram da definição como algo próprio deles, deixando até mesmo os leigos, também engajados na vida pastoral, sem o uso da palavra, como resposta ao chamado de Deus, querendo dar a seu significado um caráter de Graça.
Mesmo a vocação ser tida como algo da pessoa expressar sua relação com Deus, ela não difere o que é sagrado ou profano, desde que seja uma resposta a um chamado. Consagração que é o termo correto, da adesão ao chamado de Deus.
Ainda, sob o conceito de vocação no âmbito religioso, deve-se entender que: se vocação é a resposta a um chamado, então quem faz o chamado é Deus. E há várias formas de interpretar e “ouvir” esse chamado. Ela nasce como uma pulsão interior, uma inquietação para algo, que é construído a partir da sua história no mundo e no ambiente em que vive, como a família e círculos sociais que freqüenta.
Não existe vocação melhor que outra; existem escolhas certas e erradas, que faz com que a vocação se torne apenas uma profissão. Quando há um verdadeiro discernimento, e uma escolha correta, isto é, saber ouvir ao chamado, é necessário ter um acompanhamento sempre, amadurecendo sempre a escolha feita, pois é comum para qualquer ser humano, as dúvidas e os momentos de crise. Um orientador vocacional é a pessoa mais indicada porque é preparado para isso, e uma relação de “um com o outro” ajuda a pensar. Nas escolhas existem renúncias, e não apenas opções, pois que escolhe uma vocação renunciou todas as possibilidades de tomar outra para si.

FIORES, Stefano de; GOFFI, Tullo. Dicionário de Espiritualidade (org), Paulus, 1993.

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