Para um início de estudo, faz-se necessário entender como alguns termos são concebidos pela atual formação da sociedade, onde espiritualidade e santidade são reduzidas no seu sentido. Espiritualidade é usada apenas como referência aos eremitas e aqueles que se retiram em oração e/ou meditação nas cavernas e no deserto; santidade como uma loucura na forma que a pessoa toma como opção de vida. Nos dois casos, nessa sociedade moderna, são coisas inúteis.
Surgiu uma rejeição à espiritualidade, já que consideram essa condição inconcebível no tempo em que vivem. Em contraste a isso, cresceu dentro dessa mesma sociedade, pessoas que procuram realizar seu lado espiritual, místico, tendo grande procura pelos grupos místicos orientais. Porém, nos últimos anos, cresceu o interesse pelo retorno à Tradição, à espiritualidade cristã, tendo destaque São João da Cruz.
“O renovado interesse espiritual de nossa época brota de profundas exigências de autenticidade, de dimensão religiosa, de interioridade e de liberdade, que não satisfaz a sociedade consumista.” [S. de Fiores, pág.341]
Após a Revolução Industrial, o mundo tem passado por constantes mudanças, e evoluções no campo científico e tecnológico, porém, esse avanço esqueceu-se do fundamental, atender ao que o ser humano mais necessita; o que é próprio de si, tendo uma involução no que compete ao espiritual. Esse “vazio” espiritual força a estar buscando alternativas, nem sempre satisfatórias.
Em confronto a “maquinização”, tem-se buscado o esoterismo, às respostas mágicas para as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia. Por isso, são comuns as consultas as cartomantes, quiromantes e outras formas de adivinhação e fórmulas mágicas para resolução de problemas.
No ocidente, como já citado acima, houve um interesse à cultura oriental, principalmente, no que se refere ao campo espiritual, originando, um novo “comércio”, onde se busca por opções em que aquele que participa dos encontros não precisa aderir ao grupo. “Pega” o que convém em cada um, originando uma “religião” individual.
Um fenômeno que tem sido comum, sobretudo onde há uma maioria jovem, é mesclar elementos de uma cultura e/ou grupo e/ou tribo específicos aos elementos cristãos. Formando novos grupos religiosos e até novas igrejas, sem qualquer ligação com as igrejas históricas. Esses grupos alternativos têm como característica, o pentecostalismo ou um rigorismo baseado na leitura fundamentalista das escrituras.
Essas formas de espiritualidades apresentadas mostram a insatisfação, ou mesmo a insegurança da sociedade “racional” dominada pela idéia de progresso e poder econômico, serem os objetivos fundamentais para se preocupar. Cabe ao cristianismo atender à sociedade nessa busca, pois somente uma espiritualidade cristã é capaz de satisfazer essas necessidades de época. Uma compreensão de espiritualidade deve “morrer” e ressuscitar renovada para atender essas necessidades, porém, uma renovação sem contradizer seu depósito da fé, senão perderia seu caráter de fé revelada tornando-se apenas histórica.
FIORES, Stefano de; GOFFI, Tullo. Dicionário de Espiritualidade (org), Paulus, 1993.
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