O itinerário do homem se baseia no tempo e na história, por isso, está sujeito às mudanças; às evoluções.
“Para Teilhard de Chardin, a evolução não se aplica apenas à origem do universo e da espécie humana, mas é <<uma condição geral a que devem dobrar-se e submeter-se, para serem possíveis e verdadeiras, todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas. Luz esclarecendo todos os fatos, curvatura a que devem amoldar-se todos os traços: eis o que é a evolução>>”.[1] [S. De Fiores, pág. 604]
Para o cristão, que é além de ser humano, um ser espiritual, esse caminho de evolução também deve ocorrer, principalmente, no que compete a essa espiritualidade. Seu itinerário será afetado e/ou influenciado pela cultura, porém, deve percorrê-lo aos passos de Cristo. Tendo Jesus Cristo como princípio base, fundamento e direção para salvação, não terá problemas na sua peregrinação. Portanto, através da conversão deve permitir Cristo em sua vida.
O itinerário espiritual mostra um caminho a seguir:
· Ser como crianças e adultos reciprocamente, como Paulo adverte em 1Cor 14,20: “Irmãos, não sejais crianças quanto ao modo de julgar: na malícia, sim, sede crianças; mas quanto ao julgamento, sede adultos.”
“[...] o cristão não deve ficar parado na iniciação ou etapa infantil, caracterizada pela inexperiência, pela inconstância, pela incapacidade para aprofundar na sabedoria divina; ele é chamado a tornar-se adulto em Cristo, adquirindo a maturidade do discernimento, a impermeabilidade ao erro e a vida segundo a verdade e a caridade.” [S. De Fiores, pág. 608]
· Deixar de ser imperfeito e ser perfeito, que é possível somente através do amor mútuo [S. De Fiores, pág. 608];
· Através do amadurecimento na fé, deixar de ser um ignorante e passar a ser um mestre que é capaz de comunicar a revelação;
· Por ser um ser carnal, o cristão está inserido na realidade humana, mas é chamado a ser espiritual, onde sua ação é movimentada pelo Espírito Santo. [S. De Fiores, pág. 609]
O cristão que vive sua espiritualidade da forma mais plena, tendo Cristo como causa e conseqüência de tudo que faz, tem em seus momentos de espiritualidade elementos que não fiquem apenas na contemplação, mas que é pensada e ativada através das palavras e ações de Cristo. Essa espiritualidade, a do cristão, articula um tripé: fé inserida na ação e oração. [cito o prof. Luciano Costa Santos, em sua fala no II Encontro Mineiro-Capixaba de Universitários Cristãos – Doutor em Filosofia pela UFRS].
[1] P. Teilhard de Chardin, El fenómeno humano, Taurus, Madri, 1967, 4º edição, 266.
FIORES, Stefano de; GOFFI, Tullo. Dicionário de Espiritualidade (org), Paulus, 1993.
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